Alguns historiadores da História da Índia, ou seja, os indólogos, filologistas do Indo-europeu do século XIX; adotaram três verdades máximas: a evidência linguística, teoria da invasão ariana e cronologia bíblica para através de tais afirmações, determinarem com imprecisão algumas verdades inverídicas sobre o povo veda, povo que viveu às margens do rio Sarasvati.
A palavra "veda" significa em Sânscrito - conhecimento, mas adquiriu o sentido de designar o grande corpo de textos originários da Índia Antiga e que por muito tempo acreditou-se que se tratava de uma obra literária ou religiosa.
E através de Max Müller, o grande responsável pela disseminação da tese romântica da invasão ariana na Índia, tese, ainda hoje mantida, porém, com o desenvolvimento da tecnologia e estudos atuais; é possível verificar que não há vestígio de tal invasão ariana ao povo das margens do rio Sarasvati, e muitos menos da destruição das cidades de Mohenjo-Daro, Harapa...
O resultado desta errada atitude metodológica no trabalho de investigação científica em História, levaram tais investigadores a excluírem alguns elementos mais importantes de todo o processo evolutivo do pensamento pré-clássico indiano.
A Astronomia e a necessidade de cálculos foram justamente dois desses elementos, que eram utilizados pelo povo veda para resolver os problemas básicos da sobrevivência das populações, ligados à construções do espaço urbano, religioso e astronômico. E a prática de tais conhecimentos eram voltado para a preocupação de medir o tempo de forma precisa, para que não houvesse nenhuma falha nos rituais ao longo do ano.
A medição do tempo religioso era coincidente com a do tempo astronômico sideral. E sem ela, todo ritual e toda cosmogonia não teriam sentido, sem ela, não teria feito sentido manter a tradição oral e registrar no período fonético - utilizando um novo alfabeto - o devanâgari , um ritmo de tempo determinado por configurações únicas e irrepetíveis .
Tal falha cometida, não somente por Max Müller, Monier-Williams, entre outros, que viveram no século dezenove, mas que ao contrário de Hermann Jacobi (1894) e P. C. Sengupta , que também viveram neste mesmo período e que foram contrários a tal opinião.Exceto a exagerada extrapolação astronômica de Tilak (1893) sobre a origem ártica dos arianos. Deve-se prestar a devida homenagem ao esforço de investigação realizada por Hermann Jacobi e outros, pois os seus cálculos e investigações estavam basicamente correto, mas suas teses não fizeram eco, durante o seu tempo de vida.
A falaciosa datação feita por Max Müller, baseada na crença bíblica de o mundo tinha sido criado em 23 de outubro de 4004 a.C, que tal falta de rigor científico e posterior pedido de desculpa à comunidade científica, não eliminou o erro e nem o uso que se fez da sua tese linguística e racial: Whehter the Vedic hymns were composed in 1000, 1500 or 2000 or 3000 a. C., no power on earth will ever determine.
Müller considerava impossível datar rigorosamente os Vedas, por excluir da sua metodologia de trabalho, o que ainda hoje grande parte dos indólogos excluem: o conhecimento astronômico contido nos textos e a matemática extensível à agrimensura- prática que os egípcios e sumérios consideravam vital no dia-a-dia deles (utilizar).
A falaciosa tese de Max Müller de uma invasão ariana na Índia, bem como toda uma historiografia criada a partir de tal afirmação, não fazem sentido perante as novas datações. Em reforço desta tese, temos as imagens de satélite do vale do rio Sarasvati, que revelam uma mudança dramática do curso do rio até a sua total drenagem.
Em posterior textos daremos continuidade a tal assunto.



